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Para ver a Terra girar

Aquele pontinho vermelho, lá no alto da foto, no alinhamento da ponta da araucária em primeiro plano, é um banco.

Ele está na parte mais elevada do Morro dos Pirilampos, quase 600 metros acima do nível do mar e de onde é possível descortinar praticamente todo o Vale do Rio das Águas Frias. Fica 100 metros acima do fundo do Vale, onde corre o Rio das Águas Frias, e o caminho até ele passa pelos pomares, pastagens, por dentro da mata nativa preservada, margeia uma plantação de eucaliptos e passa por dentro de outra.

Quem sai da Casinha, de onde foi feita esta foto, ou do Café no Sítio, caminha um quilômetro para chegar ao banco vermelho. Quem sai da Casa da Cama ou da Casa Torta, reduz o trajeto em 200 metros. Todos estes hóspedes ou visitantes precisam cruzar o Águas Frias, pela ponte ou pelo seu exuberante leito de pedras. Já quem está nos Estúdios, na outra margem do rio, anda menos: apenas 360 metros pelo caminho que se eleva por 60 metros desde a Casa Enxaimel, que está na foto, embaixo, à esquerda.

O ângulo ergonômico entre o assento (de mais de um metro) e o encosto, é bastante confortável e os braços largos permitem que sejam usados, tanto para relaxar da subida, como para depositar a água ou outra bebida que for levada ao topo da montanha para a reidratação após a caminhada.

O banco vermelho não é todo vermelho. Apenas o encosto, os pés dianteiros e as bordas do assento e dos braços receberam a tinta chamativa. Para isto mesmo: para chamar a atenção de quem está aqui embaixo. As demais partes receberam apenas algumas mãos de staim incolor, para que os lindos desenhos dos veios da canela preta, madeira muito bonita e resistente, e que é sobra de peças de demolições, não fiquem escondidos dos olhos mais atentos e que se encantam com as artes que a natureza é capaz de produzir.

O horário mais legal para subir o Morro do Pirilampos é a partir da metade da tarde, depois das dezesseis horas quando é verão. O banco está voltado para o Noroeste e basta virar a cabeça uns quinze graus para a esquerda para ficar de frente para o pôr do sol. 

Bem antes de o sol se esconder atrás da montanha, a sombra começa a se derramar sobre o vale. O espetáculo provocado pela rotação da Terra dura mais de uma hora. Primero cria halos de luz nas copas das grandes árvores da mata nativa e fechada da encosta do vale. Depois a luz direta cria longas sombras no pomar de clemenules e o rio se mostra brilhante para quem está no banco. É completamente visível a movimentação da sombra em direção aos eucaliptos, à pastagem, à Casa Enxaimel até chegar aos pés de quem está sentado no banco vermelho.

É hora de respirar fundo e se preparar para a descida. Todos chegarão em casa ainda com muita luz do dia. Apenas o vale está sem luz direta do sol.

Para os mais aventureiro, outra ótima pedida é ir ao banco em noite de lua cheia. Aqui a noite é quase dia. Mas vale a pena se munir com a lanterna que está em cada uma das unidades para o caso de uma nuvem encobrir a lua durante a caminhada noturna.